{"id":851,"date":"2022-10-10T08:23:00","date_gmt":"2022-10-10T11:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cervejeirosriopreto.com.br\/portal\/?p=851"},"modified":"2022-09-15T08:28:17","modified_gmt":"2022-09-15T11:28:17","slug":"escola-cervejeira-belga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cervejeirosriopreto.com.br\/portal\/index.php\/2022\/10\/10\/escola-cervejeira-belga\/","title":{"rendered":"Escola Cervejeira Belga"},"content":{"rendered":"\n<p>A B\u00e9lgica possui um territ\u00f3rio com&nbsp;30.519 Km2 (\u00e1rea um pouco maior que o estado do Alagoas) e \u00e9 neste pequeno pa\u00eds que encontramos uma&nbsp;<strong>variedade impressionante de cervejas<\/strong>&nbsp;dificultando at\u00e9 a cataloga\u00e7\u00e3o das mesmas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estilos de cervejas belgas s\u00e3o todos Ales (alta fermenta\u00e7\u00e3o) geralmente com uma complexidade sensorial alta.<\/p>\n\n\n\n<p>A B\u00e9lgica tamb\u00e9m foi um dos primeiros pa\u00edses a usar a cerveja na gastronomia, tanto para preparar pratos tendo a cerveja como ingrediente, quanto para harmoniza\u00e7\u00e3o em restaurantes.<\/p>\n\n\n\n<p>As cervejas belgas s\u00e3o excepcionais com uma complexidade \u00fanica, e elaboradas com m\u00e9todos que combinam inova\u00e7\u00e3o, tradi\u00e7\u00e3o secular e paix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A cerveja \u00e9 quase t\u00e3o antiga quanto \u00e0 pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o e teve origem na mesopot\u00e2mia cerca de 9000 a.C.<\/p>\n\n\n\n<p>No curso dos s\u00e9culos a cerveja chegou at\u00e9 a G\u00e1lia, atravessou o Egito e o Imp\u00e9rio Romano.<\/p>\n\n\n\n<p>A cerveja naquela \u00e9poca era feita em casa e os primeiros \u201cmestres-cervejeiros\u201d eram mulheres.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As Abadias e Monges<\/h2>\n\n\n\n<p>Na idade m\u00e9dia as abadias eram centros de sabedoria e cultura agr\u00edcola, cria\u00e7\u00e3o de animais e alguns tipos de fabrica\u00e7\u00f5es artesanais, das quais tamb\u00e9m&nbsp;<strong>a cerveja<\/strong>!<\/p>\n\n\n\n<p>Os monges podiam beber pequenas quantidades de cerveja que eles mesmos fabricavam, e naquela \u00e9poca a cerveja era muito consumida devido \u00e0 alta contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Europa meridional o vinho era a bebida quotidiana, ent\u00e3o os monges que viviam nessa regi\u00e3o se concentravam no cultivo da uva para a fabrica\u00e7\u00e3o do vinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o\u00a0Flaminga (hoje uma parte da B\u00e9lgica), o clima n\u00e3o era favor\u00e1vel para o cultivo de uva, ent\u00e3o os monges locais se dedicaram a produ\u00e7\u00e3o de cerveja.<\/p>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as aos monges a produ\u00e7\u00e3o de cerveja passou de uma atividade dom\u00e9stica para uma real atividade artesanal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ervas e L\u00fapulos<\/h2>\n\n\n\n<p>Foi na idade m\u00e9dia que as cervejas come\u00e7aram a ser temperadas ou aromatizadas com uma\u00a0mistura vegetal chamada \u201cgruit\u201d, em algumas cidades era obriga\u00e7\u00e3o o uso dessa mistura, que era comprada em lojas chamadas \u201cGruithuis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as abadias,&nbsp;<strong>que eram isentas da obriga\u00e7\u00e3o do uso do \u201cgruit\u201d<\/strong>, come\u00e7aram a usar outro ingrediente \u2013&nbsp;<strong>o l\u00fapulo<\/strong>, que ajudava a conservar a cerveja garantindo longa durabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XI a Abadia Belga Beneditina de Affligem teve um importante protagonismo na introdu\u00e7\u00e3o ao cultivo do l\u00fapulo na parte Flaminga da B\u00e9lgica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">In\u00edcio da regulamenta\u00e7\u00e3o da qualidade cervejeira<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1364, o imperador Carlo IV criou um decreto chamado \u201c<em>Novus Modus Fermentandi Cerevisiam<\/em>\u201d, que foi uma tentativa de melhorar a qualidade da cerveja com&nbsp;<strong>um \u201cnovo\u201d m\u00e9todo de fabrica\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;que obrigava os cervejeiros a usarem cones de l\u00fapulos secos.<\/p>\n\n\n\n<p>O decreto deveria ser respeitado em todo o Sacro Imp\u00e9rio Romano das na\u00e7\u00f5es germ\u00e2nicas, na qual faziam parte as regi\u00f5es belgas Barbante e Flaminga Imperial (Rijks-Vlaanderen) , que incorpora a regi\u00e3o Leste do Rio Escalda.<\/p>\n\n\n\n<p>Na parte Flaminga Baixa da B\u00e9lgica, que era a regi\u00e3o do lado oeste do Rio Escalda, a obriga\u00e7\u00e3o do uso do \u201cgruit\u201d foi revogada, o que levou a uma diversifica\u00e7\u00e3o da cultura cervejeira belga.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o os cervejeiros da parte Flaminga Imperial e Brabante produziam cervejas lupuladas que duravam mais tempo, enquanto no resto da B\u00e9lgica continuaram a fazer cervejas com \u201cgruit\u201d ou \u00e1cidas (que era a \u00fanica possibilidade que os cervejeiros tinham para fazer com que a cerveja durasse mais tempo).<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nessa \u00e9poca que nasceram as cervejas belgas de estilo&nbsp;<strong>Flamish Red Ale<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos s\u00e9culos XVI e XVII foram criadas outras regras para garantir a qualidade das cervejas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Baviera a\u00a0Lei da Pureza (Reinheitsgebot)\u00a0de 1516 especificava que a cerveja poderia ser feita somente usando como ingredientes cevada, \u00e1gua e l\u00fapulo, enquanto na cidade de Halle na parte flaminga da B\u00e9lgica, existia j\u00e1 um decreto em 1559 fazendo referimento ao mosto da cerveja para a produ\u00e7\u00e3o de Lambic.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inicio da produ\u00e7\u00e3o de cervejas belgas regionais<\/h2>\n\n\n\n<p>A partir do s\u00e9culo XII, iniciou-se a produ\u00e7\u00e3o de cervejas belgas regionais, como por exemplo a cerveja&nbsp;<strong>\u201cgerstenbier\u201d (cerveja de cevada)<\/strong>&nbsp;na cidade de Antu\u00e9rpia, a&nbsp;<strong>\u201cLeuvense Witte\u201d (cerveja branca feita com trigo)<\/strong>&nbsp;da cidade de Leuven, as cervejas marrons ac\u00e9ticas&nbsp;<strong>(Oud Bruins)<\/strong>&nbsp;das cidades de Oudenaarde e Diest, e as cervejas chamas&nbsp;<strong>\u201ccaves\u201d (cervejas envelhecidas em cantinas)<\/strong>&nbsp;da cidade de Lier.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A produ\u00e7\u00e3o de cerveja na B\u00e9lgica em tempos de guerra<\/h2>\n\n\n\n<p>A Primeira Grande Guerra Mundial foi um golpe crucial para muitas cervejarias belgas porque as for\u00e7as alem\u00e3s de ocupa\u00e7\u00e3o confiscavam as tinas de fabrica\u00e7\u00e3o de cerveja (que eram feitas de cobre), equipamentos e ve\u00edculos.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente a metade das quase 3200 cervejarias sobreviveu.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap\u00f3s esse fato, a crise econ\u00f4mica dos anos 30 (consequ\u00eancia aos efeitos da guerra) inferiu o golpe final nas cervejarias que vinham lentamente se restabelecendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1946 existiam somente 775 cervejarias na B\u00e9lgica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas d\u00e9cadas sucessivas numerosas cervejarias fecharam as portas devido a forte concorr\u00eancia e do alto custo de investimento necess\u00e1rio para equipamentos mais modernos, enquanto as grandes cervejarias industriais consolidavam o mercado nacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cervejas Especiais<\/h2>\n\n\n\n<p>Inspirados no movimento dos \u201c<em>Filhos das Flores<\/em>\u201d do final dos anos 60, as cervejarias come\u00e7aram a redescobrir as cervejas especiais belgas que j\u00e1 tinham sido extintas ou perdidas no tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1977, o guru da cerveja\u00a0Michael Jackson (1942-2007)\u00a0acendeu a chama da aten\u00e7\u00e3o \u00e0s cervejas belgas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso trouxe um reconhecimento geral das cervejas e cultura belga nos anos a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1985 e 2000 come\u00e7aram a emergir cervejarias de m\u00e9dio e grande porte, e foram abertas micro-cervejarias locais, sobretudo para a produ\u00e7\u00e3o destinada a exporta\u00e7\u00e3o, em alguns casos com fabrica\u00e7\u00e3o de produtos exclusivos.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo passado, o interesse pelas cervejas belgas autenticas s\u00f3 aumentou.<\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria da cerveja na B\u00e9lgica pode se vangloriar de possuir algumas das mais famosas marcas de cerveja no mundo, al\u00e9m das cervejas trapistas com produ\u00e7\u00e3o exclusiva nos monast\u00e9rios e de algumas renomadas cervejarias locais familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um primeiro momento as\u00a0cervejas Lambic foram tend\u00eancia, mas hoje existe tamb\u00e9m uma dissemina\u00e7\u00e3o das cervejas flamingas (Flamish Red Ales e Oud Bruins)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As Cervejas Trapistas<\/h2>\n\n\n\n<p>A B\u00e9lgica \u00e9 por excel\u00eancia o pa\u00eds das cervejas trapistas, isso porque das 12 existentes no mundo metade delas fica na B\u00e9lgica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda hoje algumas s\u00e3o produzidas pelos pr\u00f3prios monges e representam um tradicional produto, exclusivo da Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observ\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>As cervejas que s\u00e3o produzidas com o mesmo processo, mas fora das abadias da mesma ordem mon\u00e1stica, s\u00e3o consideradas somente cervejas de abadia e n\u00e3o podem ser consideradas trapistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas s\u00e3o as 12 cervejarias trapistas reconhecidas no mundo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Chimay (Abadia de Notre-Dame du Scourmont) \u2013 B\u00e9lgica<\/li><li>Achel (Abadia de Notre-Dame de Saint-Benoit) \u2013 B\u00e9lgica<\/li><li>Rochefort (Abadia de Notre-Dame de Saint-R\u00e9my) \u2013 B\u00e9lgica<\/li><li>Westvleteren (Abadia de Notre-Dame de St. Sixtus) \u2013 B\u00e9lgica<\/li><li>Orval (Abadia de Notre-Dame d\u2019Orval) \u2013 B\u00e9lgica<\/li><li>Westmalle (Abadia Cistercense de Westmalle) \u2013 B\u00e9lgica<\/li><li>La Trappe (Abadia de Koningshoeven) \u2013 Holanda<\/li><li>Zundert (Abadia de Maria Toevlucht) \u2013 Holanda<\/li><li>Stift Engelszell (Abadia de Unsere Liebe Frau von Engelszell Cella Angelorum) \u2013 Austria<\/li><li>Spencer ( Abadia de Saint Joseph\u2019s) \u2013 USA<\/li><li>Tre Fontane (Abadia di San Vincenzo e Anastasio) \u2013 Italia<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Para serem consideradas cervejarias trapistas as abadias de seguir algumas regras:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>A cerveja deve ser fabricada dentro dos muros da abadia (mas pode ser envasada fora).<\/li><li>Nessa abadia deve ser seguido o regimento da&nbsp;<em>Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observ\u00e2ncia<\/em>, ou seja, devem viver em sistema de clausura, fazer voto de pobreza, se sustentar com o trabalho das pr\u00f3prias m\u00e3os (devem cultivar e manufaturar o seu sustento), devem somente rezar e trabalhar (ora et labora), devem usar mat\u00e9rias-primas de alt\u00edssima qualidade para elaborar os seus produtos e o produto final deve tamb\u00e9m ser de alt\u00edssima qualidade.<\/li><li>A produ\u00e7\u00e3o deve ser feita ou supervisionada por um monge da abadia.<\/li><li>A abadia n\u00e3o deve ter lucro com a vende dos produtos produzidos por eles, a arrecada\u00e7\u00e3o deve servir somente para o o custeio da abadia.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Estas s\u00e3o algumas das particularidades da Escola Cervejeira Belga, que encanta e fascina quem busca conhecimento sobre suas caracter\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Fonte: https:\/\/ocaneco.com.br\/escola-cervejeira-belga\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A B\u00e9lgica possui um territ\u00f3rio com&nbsp;30.519 Km2 (\u00e1rea um pouco maior que o estado do Alagoas) e \u00e9 neste pequeno pa\u00eds que encontramos uma&nbsp;variedade impressionante de cervejas&nbsp;dificultando at\u00e9 a cataloga\u00e7\u00e3o das mesmas. 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